12 dicas para trabalhar fora do país

Depois de iniciar o processo da minha cidadania italiana e tê-la em mãos, parti para a Holanda e iniciei a busca para trabalhar fora do país. Não foi uma tarefa fácil, ainda mais considerando que estou no início da carreira e, certas vezes, me questionava sobre que diferencial tenho para oferecer em um novo emprego.

Trabalho com Marketing e sou formado em Administração de Empresas pela UFRGS. No Brasil, tive apenas uma grande experiência profissional, mas participei de uma série de projetos na faculdade que me renderam um grande aprendizado: diretórios acadêmicos, empresa Júnior, AIESEC, entre tantas outras, além de um estágio na Dell. Ainda assim não me sentia 100% confiante na busca de um novo emprego fora do país.

Felizmente, depois de aproximadamente três semanas de busca constante, recebi algumas propostas e pude optar por trabalhar com Marketing Digital em uma empresa incrível em Amsterdam. Hoje, tenho colegas de mais de 15 nacionalidades diferentes, passando por América do Sul e do Norte, Europa, Oriente Médio, África e
Ásia. Está sendo uma experiência incrível e – além do grande aprendizado técnico – estou adquirindo uma experiência que certamente levarei para a vida.

Desde a minha mudança, muita gente tem perguntado como buscar emprego fora do país. Essa não é uma pergunta simples de ser respondida e não existe uma regra nesse sentido – visto que isso muda de país para país e de profissão para profissão. Eu, por exemplo, tenho dupla-cidadania (Brasileira e Italiana), o que tornou minha vinda para a Europa muito mais fácil. Ainda assim, mesmo para quem não tem alguma cidadania europeia, certas dicas valem para qualquer tipo de emprego e local, e vou compartilhá-las aqui com vocês.

1) Aprenda mais de um Idioma

Sei que parece óbvio e clichê, mas isso é realmente fundamental. Hoje, me arrependo por ter me dedicado apenas ao inglês, mesmo tendo tido a chance de estudar várias outras línguas. Inglês é básico! Quer ter uma experiência fora do país? Domine o inglês! E, por dominar, eu não digo ser fluente e saber todas as regras de gramática; mas saiba se comunicar, passar sua mensagem e entender os outros. As pessoas estão sempre dispostas a lhe ajudar e, acredite, não vão se importar caso você cometa alguns erros enquanto escreve ou fala. É claro que vagas que demandam muito atendimento ao público podem exigir um nível superior do idioma, assim como vagas em cargos mais elevados, como de gerência e diretoria.

Podem me dizer: “ah, mas se você for para um país que fala espanhol, o espanhol é suficiente.” Dependendo das suas aspirações, pode ser. Mas se você quiser subir um pouco na carreira, você vai precisar falar inglês.

Aprenda outros idiomas: espanhol, alemão, francês, italiano… Se você dominar o português, inglês e mais – pelo menos – um destes idiomas, você já está bastante à frente da maioria das pessoas.

Mas não se desespere: caso você fale apenas português, ainda assim é possível se mudar e aprender os outros idiomas já no novo país. Mas, nesse caso, se prepare para passar por um período difícil e puxado, onde terá que buscar empregos mais simples e provavelmente com salários menores.

2) Aprenda tudo sobre Vistos e Licenças de trabalho

Independente do país, da sua área de trabalho e da sua nacionalidade, em algum momento você vai precisar entender como funcionam as Licenças de Trabalho. É claro que existem aqueles que vivem e trabalham ilegalmente fora do país – algo que eu nunca recomendaria. Conheço casos de pessoas que fizeram isso e acabaram se dando bem e, de alguma forma, se legalizando no país. Ainda assim, o risco que você corre é muito grande e pode acontecer de você ser barrado do país por um bom tempo caso seja descoberto. Além disso, vivendo ilegalmente, você não tem direito a hospitais e à saúde pública, o que é bastante arriscado. Hoje, dois países que recebem muitos brasileiros legalmente, mesmo aqueles com pouca formação, são o Canadá e a Austrália. Pesquise e estude nos detalhes como são as leis para você trabalhar no país que decidiu viver – assim você evitará transtornos futuros. Muitas vezes a documentação é cara e leva tempo e, caso você não tenha analisado com calma, pode não ter o dinheiro suficiente para se sustentar no início. Então, tenha foco mas vá com calma para não dar um passo maior que a perna.

3) Pesquise o custo de vida e sua expectativa de salário

O próximo item da lista de coisas importantes a considerar: dinheiro. Mesmo que você não saiba exatamente qual será seu salário, pesquise qual o salário mínimo do país, analise as vagas que se enquadram com o seu perfil e tente prever o quanto você pode ganhar lá. Sempre sugiro que você arredonde esse valor bem para baixo e – novamente – evite surpresas negativas. Depois disso, analise o custo de vida do local, preços de aluguel, de transporte, de alimentação, etc. Geralmente existem blogueiros que vivem nesse país e grupos no Facebook onde as pessoas compartilham suas experiências. Google it! Além disso, a ferramenta Cost of Living oferece um bom panorama, apesar de nem sempre estar 100% atualizado. O seu objetivo aqui é descobrir quanto dinheiro vai sobrar depois de pagar todas as suas contas e impostos. Viver em um país incrível sem ter dinheiro para aproveitar pelo menos algumas coisas dele pode ser bastante frustrante.

4) Analise quanto tempo livre você terá

Um dos possíveis motivos de você querer se mudar é por querer conhecer uma nova cultura e descobrir novos lugares. Você precisará de tempo para fazer isso! Descubra quanto tempo de férias você terá, já que isso pode variar entre diferentes países. Aqui na Holanda, por exemplo, a legislação trabalhista é bastante flexível em vários aspectos. Você pode negociar diretamente com seu empregador, quantos dias/horas por semana você irá trabalhar, quantos dias de férias terá, se o empregador pagará pelo seu transporte ou não, etc. É importante que você analise qual seria um cenário bom e realista nesses aspectos; assim, logo que conseguir um emprego, poderá negociar mais facilmente essas variáveis.

5) Crie uma rede de contatos

Mais uma que pode parecer clichê, mas é fundamental. Assim que cheguei na Holanda, tive a facilidade e felicidade de poder morar com meus primos até encontrar um emprego e um local para morar em definitivo. Logo que cheguei, eles foram passar duas semanas no Brasil. Aproveitei esse tempo sozinho para conhecer o máximo de pessoas possível dentro dos segmentos que pretendia atuar. Não perdi tempo e agendei diversos cafés informais com outros brasileiros que haviam se mudado para a Holanda, criando uma boa rede de contatos. E, é claro, você não precisa – nem deve – se restringir a Brasileiros. Eu apenas foquei mais neles pois estava mais fácil e rápido conseguir conversas. Eu sugiro utilizar o LinkedIn para isso e assinar uma conta premium até encontrar seu emprego. Com a conta premium é muito mais fácil encontrar as pessoas ideais e entrar em contato com elas. Caso você não saiba o que falar, é só entrar em contato e pedir por dicas, conselhos e outros contatos. Acredite, a maioria das pessoas adora ajudar e já passou por situações parecidas.

6) Conheça sobre o seu novo país e sua cultura

Quando você está de férias, as coisas costumam ser muito mais incríveis. Todos me diziam que eu iria amar Amsterdam; minhas primeiras experiências lá, entretanto, foram um pouco traumáticas: um centro lotado de turistas, trânsito caótico e um grande cheiro de maconha – além de produtos e restaurantes caros. Quem está de férias pode adorar o caos e toda essa bagunça. Estar lá todos os dias é uma experiência bastante diferente. Agora, depois de quase dois meses trabalhando em Amsterdam, já descobri os caminhos que evitam o centro e pude perceber que os moradores o evitam também; então você entende o porque as pessoas que moram lá também amam a cidade: existe a Amsterdam dos Turistas e a Amsterdam dos Holandeses – que é incrível.

Descubra quais impostos você precisará pagar, se a sua carteira de motorista vale no novo país – e por quanto tempo -, se existem gestos ou comportamentos que não são bem aceitos, ou que são esperados de você. Se você tiver condições, o ideal é visitar o país que você pretende morar antes de se mudar (eu não fiz isso e ainda assim deu certo, mas pode ser arriscado).

7) Descubra como os locais buscam emprego

Diferentes culturas e países possuem diferentes formas de conseguir empregos. No Brasil, é comum numa entrevista ter um papo informal antes, junto de uma certa “politicagem”. Na Holanda, por outro lado, eles vão direto ao ponto e sem papo furado. Aqui, é fundamental escrever uma Cover Letter sempre que enviar seu currículo – enquanto no Brasil eu nunca havia feito uma Cover Letter. Descubra como os nativos do país que você pretende se mudar buscam emprego e se você conseguirá fazer isso a distância ou se precisará buscar uma agência especializada para – finalmente – trabalhar fora do país.

8) Aprenda a escrever Currículos e Cover Letters

É possível que você precise enviar dezenas – centenas talvez – de currículos e Cover Letters até conseguir seu emprego. Analise qual o padrão daquele país e quais informações eles dão mais relevância. Descubra quais dados e documentos são fundamentais – e, portanto, devem ser compartilhados – e o que pode ser deixado de lado no seu país e setor de trabalho. Se você tiver capital, existe empresas especializadas que podem lhe auxiliar a escrever um bom currículo e Cover Letter, além de dar uma organizada em seu perfil no LinkedIn.

9) Diplomas e certificações

Dependendo da sua área de formação, pode ser necessário validar seu diploma por meio de provas e testes. Analise como funciona o processo para você validar seu diploma no novo país, pois isso pode ser um GRANDE empecilho. Algumas vezes podem exigir certificações de idioma, como o TOEFL. Pesquise pelos empregos que você tem interesse e descubra se você preenche os requisitos necessários e tem a documentação pronta para isso. Mas, mesmo que você não tenha 100%, não custa nada enviar seu currículo. Muitas vezes eles colocam na descrição da vaga mais coisas do que realmente exigem.

10) Prepare-se: as coisas serão diferentes

Mudar de país e trabalhar com pessoas de outras culturas é uma ótima forma de expandir seu horizonte. Mas você irá descobrir que as pessoas têm culturas diferentes dentro do trabalho: algumas são super diretas, outros podem ser bastante políticos, tudo pode variar. E por diferentes, eu não quero dizer fácil ou divertido – pode ser muito complicado também. Na Holanda, por exemplo, as pessoas costumam trabalhar das 9h às 5h, mas não param para almoçar por mais do que 10-15 minutos para comer um sanduíche.. Muitas vezes você vai se perguntar “mas por que agir dessa forma?” e a resposta será “porque, aqui, as coisas funcionam assim“. Encare isso como uma forma de crescimento e desenvolvimento pessoal e – acredite – você se acostuma e pode até mudar os seus gostos e costumem.

11) Tenha um plano B

Tenha sempre um plano B para que, caso tudo que você planejou dê errado, você ainda tenha uma forma de sobreviver por um período até conseguir alcançar seus objetivos de trabalhar fora do país. Saiba quanto tempo você conseguirá sobreviver com suas economias até conseguir um emprego e vá com calma durante esse período no gasto do seu suado dinheiro. Eu havia feito economias para 4 meses sem emprego na Europa. Felizmente fiquei apenas dois, permitindo que conseguíssemos iniciar nossa vida aqui com um pouco mais de tranquilidade.

12) Vá atrás!

Deixe de sonhar com isso. Você só vai fazer isso acontecer quando isso deixar de ser um sonho e se tornar um objetivo claro. Saiba que isso é real. Eu fiz e muitos outros fizeram. Corra atrás e faça acontecer! E lembre-se: os itens acima são para fazer um planejamento bastante cuidadoso. Muitas vezes será impossível fazer tudo isso que recomendo – eu mesmo não fiz. Isso não é desculpa para você não ir atrás dos seus objetivos. Mesmo que não fale inglês ou outro idioma, ou que não tenha dinheiro suficiente: organize, economize, planeje e corra atrás, pois é possível alcançar seus objetivos.

E você, concorda com as dicas desse post? Tem algo a complementar? Deixe aqui nos comentários e vamos conversar!

Sejam felizes. Vivam por aí. Tchau!

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15 Comentários

  1. Tomaz Fan
    setembro 19, 2016 / 11:38 pm

    Curti muito post João! To pensando em me formar e partir pra tentar viver fora no início do ano que vem. Tuas dicas estão sendo muito valiosas. Obrigado. Um abração

    • joaozanella
      outubro 15, 2016 / 10:22 am

      Boa, mestre Tomaz!!

      Te aguardamos aqui, hein?!

  2. Fabiana de Melo
    setembro 20, 2016 / 7:11 pm

    Parabéns pelo post João, muito bom, bem explicado com dicas valiosíssimas, e sem muita enrolação! parabéns e boa sorte pra você a Vanessinha nessa nova vida!

  3. setembro 21, 2016 / 2:00 am

    Amei o post! Estou me formando esse ano em Geologia e meu sonho é morar e trabalhar fora do pais. Seu post foi muito bem elaborado, parabéns!

  4. Gabryela Homci
    dezembro 28, 2016 / 8:14 pm

    oi João, tudo bem?

    a história de vocês é inspiradora e muito parecida com a minha… pretendo me mudar para Holanda no inicio do ano que vem (2018) com meu noivo que também tem cidadania italiana gostaria muito da sua ajuda com 2 coisas:

    1. Como você fez para legalizar a sua esposa? qual foi o processo?
    2. quais são os documentos necessários para contratação? o que você levou e teve que tirar?

    obrigada!!
    Gaby

    • Vanessa Lino
      janeiro 3, 2017 / 3:32 pm

      Oi Gabryela, tudo bem?
      Fica de olho no nosso canal do youtube e aqui no blog, porque nas próximas semanas vamos liberar os vídeos falando sobre como morar aqui na Holanda sendo cidadão italiano e sendo parceiro de cidadão italiana!

  5. Rafael
    janeiro 6, 2017 / 3:38 pm

    Gostaria muito de entrar em contato com vocês, eu e minha namorada formados em comunicação social, ela tem o direito da cidadania italiana, ja começou o processo para que possamos trabalhar e viver melhor na Europa, na Holanda mais especifico. Exatamente o caminho de vocês, acompanhamos os vídeos gostaria muito de falar com vocês.

    Regards, Rafael.

  6. Cleiton Redivo
    janeiro 9, 2017 / 2:08 pm

    Olá!!

    Muito boa suas dicas, principalmente a dica 12!!!!

    Abraços.

  7. Eduardo
    janeiro 14, 2017 / 8:12 am

    João, muito bom o post. Foi extremamente esclarecedor.
    Só tem uma questão não vejo as pessoas comentando muito sobre trabalho na Holanda: a regra dos 30%. Coloquei o link aqui com algumas explicações que podem ajudar outros: http://www.iamsterdam.com/en/local/official-matters/highly-skilled-migrants/thirty-percent-ruling/30-percent-ruling-indepth
    Mas a pergunta é: você se enquadrou nessa redução de imposto? Se não, por quê?
    Abraços e, mais uma vez, muito obrigado pelas dicas.

    • joaozanella
      janeiro 15, 2017 / 6:45 pm

      Oi Eduardo,

      obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado do post.
      Então, estou pensando em escrever um post explicando um pouco sobre o 30% ruling.

      O meu ainda está pendente de aprovações.
      Para ter ele aprovado, depende de uma série de fatores – tais como salário, local de residência no momento da contratação, nacionalidade, profissão, etc.

      Obrigado pela dica.

      Abraço,
      João

      • Romulo
        fevereiro 19, 2017 / 1:13 am

        mas vc pode msm com passaporte de pais da união europeia?

  8. Silvio
    fevereiro 5, 2017 / 8:41 pm

    Olá João, tudo bem?!
    Estou tirando a cidadania italiana e até o final deste ano tudo estará concluído e estarei livre para ir realizar o meu sonho de morar na Europa. Adoro a Holanda e gostaria de viver aí.
    Sou analista de sistemas e estou procurando algumas vagas aí na Holanda, mas todas as páginas e vagas de empregos que encontro estão em holandes. Como vc encontrou uma vaga que exija somente o inglês?
    Caso eu consiga uma oportunidade, irei atrás de aprender outro idioma como holandês ou alemão… Mas neste início, como posso fazer? Me ajuda?
    Grande ABS…
    Silvio

    • joaozanella
      fevereiro 9, 2017 / 9:50 pm

      Oi Silvio,

      não tem muito segredo não. Para mim, as ferramentas que mais utilizei foram LinkedIn e Angel List. E aí é abrindo diferentes oportunidades e torcendo para achar algo em que você preencha os requisitos e que lhe interesse.

      Abraço e boa sorte!

    • Romulo
      fevereiro 21, 2017 / 12:35 am

      Silvio
      Minha formação também é em TI, e eu irei procurar na área lá apesar de estar a 2 anos fora do mercado, mas já trabalhei 8 anos nele. Tem muita vaga pra quem fala inglês no linkedin sim.
      Acho que pode ir tranquilo sem alemão e holandês, primeiro pq nessas vagas de ingles nao vai ser necessário e segundo pq é muuuito difícil, só se for ter 1 ano pra estudar pesado e ainda com termos técnicos. Pra mim pessoalmente é impossível, mas cada um cada um.

  9. Giuliana
    abril 21, 2017 / 11:43 pm

    Uauuuu!!! Muito obrigada! Me ajudou muito!

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